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terça-feira, 22 de julho de 2008

Stricken City

@ BarFly: Foto sob efeito de Guinness

* Quando eu morei por um tempo em Londres, no ano passado, além de trabalhar na TopShop (comendo o pão que o diabo vestindo Prada amassou, não caiam nessa!), eu trabalhava em uma "agência de tendências". Não vou explicar, mas basicamente a gente passava o dia fazendo pesquisa de marketing para agências de publicidade.

* Sem horário fixo, sem dia fixo, era uma beleza. No "phone-room", pela flexibilidade do emprego, trabalhavam as pessoas mais doidas que eu conheci. Todo mundo tinha banda, para começar. Ou peças de teatro em cartaz. Um deles apresentava um programa infantil em rede nacional, outro era comediante de stand-up, outro era DJ e outras tantas eram modelos. Nos finais de semana, sempre tinha show de alguém do "phone-room" para ver.

* Encurtando a história já muito longa, foi assim que conheci o Stricken City, uma das "bandas da firma". De showzinhos no BarFly, em Camden, em pouco tempo já estavam abrindo para Friendly Fires e Mistery Jets. E agora, finalmente: uma gravadora, um vídeo oficial no YouTube e um EP a ser lançado no final de julho (disponível para download no site)!



* Stricken City é formado por Rebekah (Vocal & Korg), Iain (Guitarra), Espen (Baixo) e Kit (bateria). Vídeo da música "Tak o Tak":



ps: Não é a minha música preferida e achei que a dancinha ficou muito Lovefoxxx, não? No MySpace escolham as músicas "Bardou" (linda) e "Five Meters Apart", que mostram melhor o tipo de som que eles fazem.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Pretty Ballerinas

* Comprar sapato na adolescência era uma tortura pra mim. Sendo "muy alta", era difícil achar um sapatinho com salto-zero que não fosse coisa de Vó. Era melhor ficar com os coturnos e o All-Star, e não reclamar nunca. Mas quando aparecia aquela festinha mais "chique"... ai que pesadelo! Eu botava um saltinho e não sobrava ninguém para dançar comigo! haha

* Quando a moda dos "flat shoes" moderninhos apareceu, lembro que fui a uma loja do Shopping e levei tudo o que podia. E o que não podia também, mas isso é um detalhe.

* Eu tenho a desculpa de calçar 39. Vocês já tentaram comprar um 'sapatinho' 39? na Arezzo, por exemplo, eles só recebem dois (DOIS!!!) pares na numeração 39. Eu me sinto um Shrek entrando na loja. Ou seja, se eu não correr, as girafonas de Higienópolis passam na minha frente!

* E é por isso que eu me arrependo horrores quando lembro dessa lojinha fofa da foto acima. Ficava em Chelsea em Londres, pertinho do metrô de Knightsbridge. Sabe aquelas coisas de viagem "um dia eu volto aqui"? Pois é. Esqueci e nunca voltei.

* Pelo que eu entendi, o Pretty Ballerinas vem da Espanha. Entrando na loja, você dá de cara com uma pirâmide enorme de sapatilhas. São tantas que é fácil enlouquecer e pensar no "outro dia eu volto". Não é baratíssimo (tipo 100 euros), mas para quem sofre com o pezinho 39 não tem o que pensar.

* Reparem que alguns modelos têm a ponta quadrada das sapatilhas de bailarina mesmo:

Eu queeeeero!!!!!


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Banksy em vídeo

* E por falar em Banksy, apareceu no YouTube um vídeo com o próprio em ação! Raridade.

* Ele ainda comenta sobre seu grafite-político enquanto pinta a Monalisa "perigosa". Aqui:

Banksy em ação, Londres

Camden pega fogo, Banksy é deletado

Photographing, foto tirada do Flickr da akanekal.

* Camden Fire, February 2008: O Flickr já tem seu grupo para fotos do fogo que atingiu o mercado de Camden Town, em Londres. =( Clique no link para ver todas as fotos.

* O Londonist fez posts atualizados a cada meia hora, com dados da BBC e fotos do próprio editor, Mat Brown. Leia aqui.

* O fogo destruiu um dos pubs mais legais do bairro, o Hawley Arms.

* E enquanto todo mundo se preocupava com o incêndio, um idiota teve o trabalho de apagar a "Empregada" do Banksy, que ficava ali perto da estação de Chalk Farm. Via Londonist.

Aqui jaz... The Maid, by Banksy


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Despedida em slow-motion: ultima semana

Da Guinness para a Brahma em 7 dias

* Estou em processo lento de despedida de Londres. Tentando fazer tudo o que faltou, juntar um dinheirinho aqui e ali para compras de Natal (desculpa gente, mas não deu para juntar nada), reunindo amigos, sendo emotiva, fotografando besteiras, refazendo caminhos, etc. Espero poder voltar logo.

* Por falar em cerveja, tem um comercial da Brahma que passa no cinema aqui a toda hora. Um cara no Rio (aquela coisa: praia, sol, mulher bonita, bla bla) toca samba sem pandeiro, mas com uma caixinha de fósforo. Daí uma dupla de amigos joga ping-pong sem raquete, mas com havaianas, e por aí vai. Deixando os clichês de lado e a falta de originalidade, não entendi a moral da história. Parece uma coisa tipo "quem não tem cão caça com gato". Mas e aí, se não tiver Guinness vai Brahma mesmo? Sempre viajo no final do comercial e não vejo o fim. Certamente eu perdi alguma coisa importante ali.

Justice @ Brixton

* Acho que eu estou velha demais para o Justice, deve ser isso. Não sou nada fã de pop/electro/dance/blabla francês, e não gosto nem de Daft Punk. Nunca consegui ouvir o cd do Justice inteiro e ao vivo, então, fiquei me sentindo a tiazona do Xerox infiltrada na festa do colegial da escola.

* Ainda mais na Brixton Academy, um lugar surreal para show desse tipo. Cadeiras numeradas, vários seguranças fazendo a molecada derretida ficar sentada e, detalhe: é proibida a entrada com chiclete. Eles não só me fizeram cuspir o chiclete, como jogaram meu pacote de trident novinho. Nas cadeiras vizinhas, adolescentes vestidos de rena (!!!) - segundo uma amiga que é produtora aqui em Londres, o assessor do CSS enviou um email para a imprensa pedindo que as pessoas fossem aos shows fantasiadas - e mães com filhas ansiosas esperando o CSS. A Lovefoxxx reina absoluto entre essas meninas, que só se levantaram da cadeira quando o Justice parou. Eu ainda não entendo o eletrônico pastelão do Justice, mas admirei a força de vontade do público que berrava, derretia, cantava e dançava freneticamente... nas cadeiras.

Desculpa, roqueiros

* Eu cheguei super atrasada nesse lance do blog Dear Rockers. Você pode mandar a sua carta-desculpa para aquele artista cujo CD você acaba de baixar na internet de graça. Mande também $5, claro. Eu acho que devo mandar as minhas desculpas ao Justice então, mas não pretendo pagar $5 pelo CD que já deletei do sistema.

* Passei um tempão lendo as cartas absurdas no blog. Tem até uma menina que pede desculpas ao Gipsy Kings por um mixtape de 1996, com fotinho da fita cassete e tudo!!! Isso sim é old-school.

* Em um post da semana passada, falei que o único filme de que não gosto do Wes Anderson é o "The Life Aquatic...". Além de ter achado meio bobo, a trilha sonora do Seu Jorge me deu sono. Por coincidência o Guardian entrevistou essa semana o cara com o emprego mais chato do mundo: Randall Poster, que ganha a vida fazendo trilha sonora para filmes alternativos. Ele faz a trilha de todos os trabalhos do W. Anderson, e olha o que ele diz sobre a trilha do "Life Aquatic...":
"Seu Jorge, que faz o papel de um cara chamado Pelé, foi chamado para o elenco porque tinha participado do filme Cidade de Deus. A gente sabia que ele tocava um pouco, mas não tinha idéia da contribuição que ele traria ao projeto. Ele não falava muito bem inglês e não tinha qualquer familiaridade com as músicas do Bowie, mas de alguma forma se saiu bem. (...) Fizemos 13 músicas juntos e foi mágica, porque no script dizia apenas: 'Pelé embarca e canta uma música do David Bowie em português'. A gente partiu disso e só."
* Eu acho muito bem bolado esse anúncio em ônibus e metrôs de Londres. Em um deles, tem um cara de olhos fechados completamente viajando na música que sai do iPod. No banco ao lado, um cara encara o iPod com cara de "já é". Bye Pod!!! Porque trombadinha existe em qualquer lugar do mundo. =)

* A alternativa é disfarçar o seu iPod com capuz! Adooooro essas capinhas do site iPod Hoodies. Ela é feita de moletom e você pode escolher vários modelos aqui.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Blonde Redhead e Interpol @ Ally Pally

* Ter visto o Interpol aqui na semana passada me deixou com mais vontade ainda de ver a banda no Brasil em 2008. O Interpol é uma das poucas bandas - com o Arcade Fire - que ainda me faz comprar CD. Não tem uma música deles de que eu não goste. Nem sei dizer qual disco é o meu preferido. O show é impecável, e não vou escrever de novo por preguiça mesmo e porque já mandei para a Popload. Dá para ler aqui.

Blonde Redhead + Interpol @ Alexandra Palace

* A abertura do Blonde Redhead foi um bônus e tanto. Eu teria pago as mesmas libras para ver só eles, então ter as duas bandas no mesmo palco "não tem preço". Mesmo. Pouquíssimas pessoas que estavam lá conheciam o B.R., e muita gente deixou para chegar só na hora do Interpol. Mas quem chegava desavisado e dava de cara com a japonesinha se descabelando no palco berrando feito uma Bjork, tinha que ficar até a música acabar.

* Eu nunca soube que ela não conseguia falar meia palavra em inglês. A comunicação com a platéia foi ficando cada vez mais difícil, até que ela desistiu. Fofa, balbuciava algumas coisas que ninguém sabia o que responder ou como reagir. Ela tem uma dancinha louca, parece uma criança em transe. Vai se contorcendo, troca de instrumento, faz uns solos de metal com a guitarra, abandona e pega um teclado, joga a boina, se descabela e solta um "tank" you sem graça para a platéia.

* Sou muito fã dos gêmeos, mas não parei de olhar para ela. Assim como o Sam Fogarino, baterista do Interpol. Ele assistiu ao show do palco e acabou tocando três músicas com o a banda. Duas baterias! Para completar, Paul Banks entra para acompanhar o quarteto na melhor música do BR, "23". Show perfeito.

* Mesmo longe, consegui fazer um vídeo humilde. Reparem nas duas baterias! No gêmeos incríveis (adoooro o Amedeo)! No Paul Banks com gorro preto fazendo o modesto! E na dança sensacional da Kazu Makino. Meu cabelo não permite imitar.

"23": Blonde Redhead + Paul Banks & Sam Fogarino (Interpol)



* E para quem não conhece o Blonde Redhead, o site oficial é lindo e dá para ouvir bastante coisa clicando em "music", obviamente. Dãr. O wikipedia também é uma boa. E se você achar que é uma cópia do Sonic Youth, não é mera coincidência: a banda foi produzida pelo Steve Shelley (baterista S.Y.) no começo da carreira (1993). Salve o Wiki!

[ Blonde Redhead: site oficial ]

[ http://en.wikipedia.org/wiki/Blonde_Redhead ]

No More TopShop

Eu tenho medo da Oxford Street *foto by Orhan

* Já pedi demissão da loja dos horrores! Ufa!

* TopMusic: Há pelo menos 19 músicas que nunca mais vou conseguir ouvir na vida, tudo por causa da TopShop. Tenho calafrios só de ouvir Gallows, ou "aquela" da Bjork, ou a última do New Young Pony Club. Arranjaram um novo DJ essa semana que embarcou numas de rock garageiro no volume 10. Eu vi cliente sair correndo. Imagina trabalhar por 8 horas como se você estivesse dentro de uma cabine com o Tchello tocando na orelha. A música mais relaxante do setlist dele era Allison, do Pixies.

* TopMoment: Nesse tempo todo, posso dizer que além do desconto amigo para o pessoal "da firma", a única coisa interessante que me aconteceu por lá for ter atendido o Matthew Followill, do Kings of Leon. Mais nada. A calça dele era tão apertada que eu achei que ele não fosse conseguir levantar mais e ele nem levou a bota cowboy vintage de couro vermelho desbotado que eu ofereci.

* TopTraining: O top da bizarrice fica por conta do treinamento de sete horas, que inclui, entre uma simulação de incêndio e um "como se comportar ao avistar um terrorista em potencial", um modesto "o que fazer quando uma celebridade como o David Beckham entrar na loja". O David nunca entrou.

* TopAbsurdinho: a foto acima é do Flickr do Orhan, que captou a entrada da loja com uma multidão insana - e com nada melhor para fazer em Londres, no dia em que a Kate Moss lançou sua coleção lá dentro. Dizem que foi ela mesmo quem desenhou. Aham.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O Homem Urso, o Homem Alasca e o Homem Nerd

* Os filmes americanos por algum motivo, demoram horrores para chegar em Londres. Para vocês terem idéia, o desenho Ratatouille ainda está na lista de estréias e ainda recebe resenhas todo final de semana. Só nas últimas semanas consegui ver Into The Wild do Sean Penn e Darjeeling Limited, do Wes Anderson.

* Eu não vejo tanta diferença entre a história do menino playboy aventureiro Chris McCandless e a do doido Timothy Treadwell, aquele que falava "I Love You" para cocô de urso. Cada um na sua, mas a ingenuidade dos dois para mim é a mesma.

* O que eu vejo é uma diferença enorme de direção de um filme para o outro, o que faz com que um seja patético (o homem Urso) e que o outro seja herói (o homem Alasca). Se McCandless tivesse filmado sua própria aventura como fez Treadwell, nossa impressão do aventureiro galã não teria sido outra? Ou, se a sua história tivesse sido contada por Werner Herzog, sem trilha do vocalista do Pearl Jam ou imagens aéreas da imensidão branca do Alasca... como seria?

* Paralelamente, eu imagino o que teria sido do Homem Urso se a história dele tivesse sido filmada pelo Sean Penn (que eu adoro, mas que deveria continuar mais ator e menos diretor)... Ele passaria de doido a herói, já que tudo isso é apenas um detalhe de casting. Um Brad Pitt de bandana e um urso tipo Disney. Trilha do U2. A cena final seria estilo "Lendas da Paixão". Brad Pitt se agarrando com o urso, câmera lenta, música dramática, câmera ligada, herói sorri para o urso e diz I Love You antes de ser devorado. Ou mais ou menos isso.

* Eu adoro filmes sobre famílias excêntricas e/ou caindo aos pedaços. Aqui tem uma lista deles. Também adoro mais um filme sobre o nada do diretor nerd Wes Anderson. Melhor ainda se for um road-movie na Índia com trilha sonora esquisita e Adrien Brody no elenco. O 'nada' nessas condições vale muito. Diferentemente do 'nada' em um submarino com o Seu Jorge. Também é do Wes Anderson, mas não consegui gostar.

* Para fãs do Wes Anderson somente: o site Rushmore Academy funciona como um blog do diretor. Ele é meio feio visualmente, mas é cheio de informações valiosas. Detalhes da filmagem do Darjeeling, a trilha sonora, biografia completa de todos os personagens de todos os filmes (a biografia dos ótimos Tenenbaums é uma delíca de ler), kits de imprensa, partes originais dos roteiros e próximos projetos.

[ Rushmore Academy ]

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

The Ghost Frequency @ Amersham Arms

The Ghost Frequency @ Amersham Arms

* O pub/bar Amersham Arms fica em um bairro no final do mundo (isso significa "do outro lado do Rio Tâmisa") em Londres. Penúltima estação da linha nova laranja, pelo "overground", não pelo metrô. O bairro é escuro como a Barra Funda, vazio e sinistro. Isto dito, tem que ter muita boa vontade para ir até lá. Compensa. O pub é lindo e a programação de shows e baladas é sensacional: o dono é o mesmo do Lock Tavern, pub com shows bem bacanas em Camden Town. A nova empreitada fica em New Cross, e já conta com Hot Chip para uma residência mensal nas picapes, por exemplo.

* Foi lá que a banda The Ghost Frequency tocou na quinta-feira passada, entrando só a meia-noite. Para a turma grande de indie/new-rave-kids que estava no pub, o horário não agradou muito, e pouco mais de 15 pessoas sobraram para ver o show. Eu já nem sabia mais como ia voltar para casa sem trem e sem metrô, mas ok.

* Eu adoro a banda, que acabei conhecendo por causa da música "Money on the Fire", ótima para tocar na pista. Ela lembra Rapture, Bloc Party, Klaxons e mais uma salada de bandas novas. Ao vivo, parece mais disco-hardcore. As revistas daqui têm chamado de "disco-synth-punk" ou dance-core, mas eu nunca fui muito boa para esses rótulos.

* Doran, o vocalista, agora faz a linha "punkabilly" no visual: calça dobrada com meia branca aparecendo, tatuagens, camisa xadrez com mangas enroladas e camiseta branca, e é claro, o topete com muito gel. Ele também faz aquela dancinha ótima (dá para ver no vídeo de Nightmare) que mistura Ian Curtis, Morrissey e Jair do Ludovic. Sabe qual?

* O show começa sem maiores avisos logo com "Money On The Fire", música que até a minha irmã adora. O clima era "punk intimista", e de tão vazio acabei colada com o palco. Muito mais pesado que o normal, mas dançante mesmo assim. O cenário segue o mote da banda, que é o de filmes B de horror: muito verde, gosmas, caveiras, montros e olhos saltando e voando pela bateria. Menos de uma hora de show contra duas horas de ônibus para voltar para casa.


* O single da música nova, a "Never Before Have I Seen A Man Alive That Looks So Exactly Like A Skeleton" (decorou?), sai no dia 10 de dezembro e o vídeo horror-B está no YouTube, clique aqui para ver. Fiz um vídeo dela ao vivo, coloquei aqui. Abaixo, um outro trecho do show. Reparem na dança.

"Money On The Fire" - The Ghost Frequency


* Todas as fotos estão no Flickr

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sampaist @ The Guardian

Acho muito chique

* Na semana passada o Sampaist recebeu um email do jornalista Benji Lanyado - do jornal inglês The Guardian - pedindo dicas sobre São Paulo.

* Ele passaria um final de semana na cidade, tinha pressa e queria saber exatamente o que fazíamos, e não o que "recomendávamos". Mandei minha listinha kit-final-de-semana-em-Sampa, que costuma ser: Filial, Exquisito, Milo Garage, Vegas, StudioSP, Casa Belfiore, Clube Belfiore, Clash, a fejuca do Consulado Mineiro e o doce de ambrosia da praça Benedito Calixto.

* A gente só não sabia que ele seguiria o email parágrafo por parágrafo, dica a dica. E foi assim que, uma das coisas de que eu mais sinto falta no Brasil foi parar no Guardian: o bolinho de arroz acompanhado de caipirinha de frutas vermelhas do bar Filial, na Vila Madalena.

* O texto ficou ótimo! Ele consegue descrever a "perigosa" Barra Funda e a "boêmia" Vila Madalena com riqueza de detalhes, e alguns trechos são bem engraçados. O texto começa com o jornalista dizendo que a cidade é conhecida como "um osso duro de roer", e termina com a aventura dele tentando achar o CB.

[ TRECHOS ]

* StudioSP: "Entrada inofensiva, fila pequena e segurança gigante. Um casal, visto pela última vez girando na pista, de repente sobe ao palco e começa a fazer um set ao vivo de electro. Ela canta, ele enrola".

* Barra Funda: "Quando perguntamos para a recepcionista do albergue como ir até a Barra Funda ela nos olhou assustada e demos pra trás. (...) Decidimos nos aventurar no sábado. Ansiosos, pegamos um taxi na saída da estação Barra Funda. O motorista tem que parar para pedir informação sobre como chegar à Casa Belfiore. (...) Parece não ter nada lá em lugar algum, até que entramos em uma ruazinha com uma casa iluminada por luzes multicoloridas."

* Casa Belfiore: "Público desleixado, estilo rockabilly moderninho, com barba e camisa xadrez. (...) Gravuras chinesas obscuras e poster de Bukowski nas paredes. (...) Entendo pouquíssimas coisas do cardápio, e decido escolher o que parece ser um Roquefort com alguma-coisa-caramelizada. Vinte minutos depois, surge da cozinha uma berinjela meticulosamente caramelizada, servida por uma garçonete com um piercing enorme no septo."

* Clube Belfiore: "A parada final do Ana's Tour é o Clube Belfiore. A caminhada é sinistra - ruas desertas, doidos cambaleantes e um vira-lata latindo. Nada leva a crer que o clube da hora em SP fica por perto. Mas lá está ele, dentro do que parece ser um galpão, iluminado por globos pálidos e abarrotado de locais perto de um palco nos fundos. A banda entra e eu fico pasmo. Por duas horas seguidas eles tocam covers de Cure, Happy Mondays, Blur e outros hinos indie, cada música anunciada em um português cômico pelo vocalista. Duas noites em SP e é uma surpresa atrás da outra."

---> Detalhes:

- A parte em que ele me descreve como "DJ & Club Booker" foi coisa do Lemp, que levou os caras para uma saudável feijoada num sabadão de feriado prolongado.

- O "Ana's Tour não incluía uma caminhada perigosa e solitária pela Barra Funda. Por sorte NADA aconteceu aos jornalistas e meu nome não foi parar na página POLICIAL do Guardian.

- Putz. Banda cover, não, né, Belfiore?

---> Para Ler:

[ São Paulo, Sampaist e Ana's Tour no Guardian ]

terça-feira, 20 de novembro de 2007

BRMC, Clinic & Arcade Fire

BRMC @ Roundhouse

* Na quinta-feira teve show do Black Rebel Motorcycle Club no Roundhouse, em Camden. Nem parece a mesma banda que tocava "Whatever happened to my Rock n' Roll?": foi um show mais para Cowboy Junkies que Kings of Leon, se alguém conseguir entender o quero dizer. Não sei se existe "country gótico" ou "country-goth", mas é mais ou menos isso. Para desespero das maquininhas digitais, não tem uma iluminação sequer no palco: só o baterista tem um spotzinho atrás dele. Mais nada. Todos vestidos de preto, como sempre, e muitas vezes não dava nem para achar o vocalista. Quando o show pesava, vinha um estrobo tão forte que não dava para olhar para o palco. Vide foto, ou o que restou dela.

* Eu gosto bastante do último disco do BRMC. Mas ao vivo, ele arraaasta o show, porque não tem a ver com as primeiras músicas da banda. As seqüências de músicas "lentas" eram bem longas e com solos (teve até trombone!!!), e os jovens roqueirinhos sujos da frente do palco não tinham paciência. Um careca com cara de jogador de rugby atrás de mim berrava o tempo todo para a banda "acelerar", este sim o pior fã que existe. Ele só se deu por contente quando a "Whatever..." entrou. A pista pegou fogo, mas ainda assim, prefiro o show gótico-folk-arrastado, to ficando velha. =)

* Momentos Coldplay de solos de piano, momento bem desnecessário a la Vanguart com vocalista sozinho no palco fazendo cover de Dylan (meninos, dar aquela gaiteada na voz NÃO é cantar como o Dylan), e pancadaria de bateria no breu.

* Na saída, todos os carros em frente ao Roundhouse estavam com os vidros quebrados. E a gente reclama da Barra Funda, neam. E para completar, três ratazanas estavam fazendo a festa no ponto de ônibus. Whatever happened to Camden Town?

Clinic @ Ally Pally

* O show de abertura do Arcade Fire pelo soft-metal do Clinic foi uma surpresa. A-do-rei e nunca pensei que fosse dizer isso. O Arcade já vinha fazendo um cover de "Distortions" em outros shows, então não foi um convite muito inusitado (dá para ver a versão de Distortions em um show em Portland). Richard Parry (Arcade) estava ao meu lado durante o show do Clinic, com uma latinha fechada de Cachaça 51 - made in Brazil. Acaba o show e ele, na maior tranqüilidade do mundo fala: "Vou me trocar, é a minha vez". Deve ser estranho - e muito bom - fazer parte de uma das maiores bandas do mundo e nunca ser reconhecido.

Arcade Fire @ Ally Pally

* Alexandra Palace tem a cara do Arcade Fire. Eles não poderiam ter escolhido um lugar melhor. Não chega a ser um palácio, como o nome diz, mas é um teatro pomposo e vitoriano, com teto de vidro em alguns cantos. Ele fica no topo de uma colina gelada no norte de Londres. Fazia mais ou menos 3 graus naquela noite, e um ônibus gratuito tinha a bondade de levar os fãs colina acima.

Ne-on Bi-ble, Ne-on Bi-Ble

* O cenário do show Neon Bible em Londres não foi muito diferente do de Leeds, mas festival não é a mesma coisa. O "Ally Pally" (como os londrinos chamam o teatro) estava mesmo parecendo uma igreja, com panos pretos no teto e veludo vermelho por todo o palco. Uma réplica de órgão de igreja ocupava boa parte do espaço, e telões ovais gigantescos foram espalhados pelos cantos.

* A pastorinha berrante brasileira não tem mais a honra de abrir sozinha o show. Agora ela disputa espaço com outros pregadores mais velhos que ela, mas tão bizarros quanto.

* Aqui em Londres, assim como em todos os shows da Inglaterra, o cover foi de "Still Ill" dos Smiths. Sem comentários.

* O final é sempre apoteótico, e "Wake Up", cantada por um mundo de gente, sempre dá aquela vontadezinha de chorar.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Outono

* Eu sei que tirar foto de árvore é pior que ficar tirando foto de cachorro, mas infelizmente eu adoro fazer as duas coisas. =)

* O mais engraçado é que só agora que as folhas começaram a cair é que eu descobri uma vizinhança toda na minha janela. Há dois meses, minha vista era um mar de árvores bem verdes e bem altas, com uma raposa xereta que sempre saía do meio delas para tentar invadir o jardim do vizinho. Agora, eu vejo várias casinhas, um prédio e até uma rua sem saída. O bairro mudou de cara completamente.

* A foto acima é de um dia de Photo Safari no parque. As cores são tão diversas e fortes que nem deu coragem de abrir o photoshop.

* Mais fotos no Flickr.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Banksy Exposed!

* Poder andar pela cidade e dar de cara com os trabalhos do Banksy não tem preço. A frase é clichê, mas nem vou tentar inventar outra. Para quem nunca visitou o site acima, de onde essa foto foi gentilmente roubada, é só clicar para ver muitos dos trabalhos dele que já foram apagados das paredes da cidade.

* Atenção: uma leitora do Londonist conseguiu o que poder ser uma das únicas fotos do artista em ação! Olha só que beleza:

Banksy em Bethnal Green

* O resultado final é esse:

* A flor amarela tem sido vista em outros pontos de Londres e não é um trabalho de Banksy. Leiam aqui o 'furo de reportagem' do pessoal do Londonist.

[ Enquanto isso, ... ]

--> Enquanto 11 trabalhos de Banksy eram leiloados há duas semanas, os jornais ingleses publicaram uma ameaça da prefeitura de apagar todos os seus grafites.

--> E enquanto uma parte da Prefeitura realmente tem jogado tinta branca nas paredes, uma outra parte indignada saiu pelas ruas para "restaurar" as obras danificadas.

Restauração de grafite é novidade

* Leiam o artigo aqui, é bem interessante.

--> E enquanto elas não somem, o blog Art of the State mantém posts geniais sobre os grafites de Banksy em Londres. Só em setembro eles acharam mais 4 desenhos escondidos! O blog é sobre arte de rua e é atualizado quase que diariamente com fotos e textos.

--> E enquanto o povo se mata naquela eterna discussão para boi dormir do "Mas... é arte?", a Mari resolveu mesmo é colocar o Banksy na pele:


[ Flickr da Mari ]

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

No Metro: Halloween

* Enquanto isso, no metrô...



* Não dá para ver as asas pretas que ela usava, mas vale.

[ Foto by phonecam do Diggle ]

Carmina Burana @ Royal Albert Hall

* E enquanto vocês se jogavam no TIM Festival no sábado, eu dava continuidade ao meu projeto "Indie Erudito". Fui ver uma ópera pela primeira vez na vida, em um momento quase Julia Roberts em Pretty Woman. "Qua-se" porque não tinha Richard Gere nem colar de diamante, e eu nem chorei de emoção como manda o figurino.

* O cartaz do lado de fora do Royal Albert Hall dizia "MONUMENTAL", uma palavra que vou passar a usar com mais freqüência de agora em diante. Foi mesmo "monumental" e emocionante, apesar de conhecer só aquele trecho que a gente sabe bem qual é. A Ópera começa e termina com ele, ufa, porque não sei bem o que aconteceu no meio tempo. Eu me pegava viajando em pensamentos e fazendo filmes com aquela trilha dramática e só voltava do transe quando o coral de 400 (!!!) pessoas berrava novamente.



* Mudando de assunto:

* Eu quero saber do TIM Festival, povo, vamos lá, DESEMBUCHA! Eu já cansei de ler as resenhas "em cima do muro". Todo mundo achou a Bjork carnavalesca, mas emocionante (se fosse o Carlinhos Brown fazendo a mesma coisa tinha levado garrafa na cabeca, mas ok). Juliette Lewis foi clichê, mas divertiu. Spank Rock alegrou, mas fez confusão sonora. Arctic Monkeys foi rock certeiro, mas seco demais. Killers atrasou mas arrasou.

* Que passa? Quero saber a verdade!!! =)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Islington: Zero Degrees, Rugby e a Leitoa Assassina

Zero Grau

* Em um pouco mais de dois meses aqui, já fiz de tudo um pouco. De corrida de cachorro a boliche indie. No final de semana resolvemos ficar pelo bairro e ver o que tinha de bom para se fazer aqui.

* Um dos teatros de dança mais famosos do mundo fica em Islington, o Sadler's Wells. Eu nunca fui a um espetáculo de danca na vida, mais por preconceito que por falta de oportunidade. Não estou falando de balé no municipal, ok, e sim de dança contemporânea. Acho chato mesmo. Não entendo a profundidade das histórias contadas por passos e não por imagens ou diálogos: me dá sono, eu viajo na trilha e esqueço da dança, e não suporto as conversinhas profundas e pseudo-intelectuais pós-show. Mas topei ver a "peça do ano" no "teatro do ano" com os "artistas do ano".


* Ainda falta muuuito para eu pegar detalhes de uma história sobre um conflito em uma viagem de comboio entre Bangkadesh e a Índia, que reflete "a busca do ponto de referência, do ponto “0”, do núcleo da vida, o ponto central entre os opostos como a vida/morte, claro/escuro, ordem/caos". Não teria entendido nada disso sem o release, claro. Mas acho que tive muita sorte de passar pela experiência com um espetáculo tão bonito e emocionante. O time ajuda: a peça é resultado de uma colaboração entre os artistas Akram Khan e Sidi Larbi (fiz a mesma cara de interrogação. São artistas provenientes de famílias islâmicas que moram em Londres), o escultor Antony Gormley (ele é o cara que cravou aquelas estátuas gigantes em uma praia de Liverpool) e o compositor Nitin Sawhney. As músicas indianas eram tocadas ao vivo por uma mini-orquestra que ficava atrás de uma tela transparente sob o palco. Lindo. Até para quem não é da turma. Obs: dei de cara com um dos pet shop boys (Neil Francis Tennant) na entrada.

Zero Degrees @ Sandler's Wells



* RUGBY: da profundidade das discussões islâmicas para a final da Copa do Mundo de Rugby, que parou a cidade por 80 minutos. Todos os pubs com telões e correria nos metrôs, aquela euforia de Copa do Mundo no Brasil que eu não consigo sentir nem em Copa do Mundo com final de Brasil x Argentina. Empolgação "zero grau" da minha parte, contando os minutos para aquilo acabar. Vitória da Africa do Sul e o pub nunca mais foi o mesmo. Para a minha analogia funcionar, tentei imaginar que a Argentina vencendo o Brasil aos 45s do segundo tempo. Ok, comecei a sentir um pouquinho da tristeza que se instalou no bar. Mas bem pouqinho.

* Para acabar a noite, resolvemos jantar e um amigo pediu um pedaço de "leitoa assada", que estava bem "crocante" segundo o menu. Além de ter perdido o jogo, ele também perdeu um dente. E o da frente:

One and a Half Teeth, by James

* Mesmo com um dente e meio, ele topou continuar a balada pelo bairro. Com os pubs fechados, achamos uma casa vermelha estranha, com licença para funcionar depois da meia noite. Bizarro. Banheiro misto sem espelhos, cavernas escuras, pessoas caretas tipo festa de firma e um DJ sem noção, estilo Grind-da-Lôca, que tocava EMF, Madonna e Gossip na seqüência. Show de horror. Para dar um clima cool ao lugar, um telão exibia fotos glam de Lou Reed, Iggy Pop e David Bowie. Socorro.

Algum lugar em Islington

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Come Together: Paul & Pete, Yoko & Beth

* A 50a edição da revista mensal de música do Observer (OMM) pediu para alguns artistas com mais de 60 anos que eles escolhessem alguém da "nova geração" para entrevistá-los.

* Sir Macca escolheu Pete Doherty, que precisou de uma licença especial da rehab para a ocasião.

* Já a Yoko, que também não é boba nem nada, escolheu a Beth Ditto.

* Espero que minha fotinho horrorosa dê ao menos uma vontadezinha de ler, porque as entrevistas ficaram engraçadas.

---> Para Ler:

[ Macca by Pete ]

[ Yoko by Beth ]

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Cowboys for fans only, Sexo na Galeria & Ian Curtis para madames

* A semana passou e eu nem senti, e acabei esquecendo de postar algumas coisas legais e outras nem tanto.

* E eu só fiquei sabendo no DOMINGO da polêmica Huck x Ferrez (em "texto marginal-chique", segundo a Folha). Tive que catar pedaços aqui e ali, mas acabei achando esse resumão ótimo. Se alguém tiver mais um texto legal (pode ser em blog) sobre isso, me manda o link por favor.

* Quarta-feira fui a um show recomendado para "fãs somente". Quando morei em Londres pela primeira vez, isso há oito anos, no sótão onde a gente morava tinha três cds. Neil Young acústico, The Best of The Cure e Cowboy Junkies (Trinity Session). Logo que voltei ao Brasil, comprei os 3 CDs, lógico, porque eles traziam lembranças estranhas. Adoro quando algumas músicas fazem isso.

Os irmãos Cowboy Junkies

* Justificativa dada, paguei algumas boas libras para ver Cowboy Junkies no projeto Don't Look Back. Para quem não sabe, é aquele projeto que traz uma banda e um disco clássico. A banda tem que tocar aquele disco na seqüência, com as músicas nas mesmas versões. Como o Trinity Sessions é o único disco bom do Cowboy Junkies, minhas outras desculpas para ter ido são: a nostalgia toda da coisa, o local do evento (o luxuoso Royal Albert Hall, um Municipal com cara da rainha da Inglaterra) e o convidado especial Ryan Adams, que tocou guitarra em todas as músicas, e cantou outras tantas. Juro que foi lindo. =)

* Quebrando as regras do projeto, a banda voltou para vários "bis", tocou músicas novas e Ryan Adams teve o seu momento. A música mais famosa da banda, se não for a única, é uma versão chorosa que eles fizeram para "Sweet Jane" do Lou Reed. Ela entrou na trilha do filme "Assassinos por Natureza" e está aqui. Ok, não se fala mais nisso.

* A exposição "proibida para menores" do Barbican foi que interessante. "Seduced: Art & Sex" é uma exposicão que traça a trajetória do sexo em obras de arte como livros proibidos, porcelanas, pergaminhos, filmes, fotos, estátuas e outras manifestacões artísticas através dos tempos.

Olha a Leda de olho no Cisne

* Eu adorei as fotos eróticas p&b dos anos 20, as porcelanas japonesas com gueixas insinuantes e as fotos ambíguas de frutas e objetos que lembram, bem, vocês conseguem imaginar. Pelo contexto e pela época, imagino o quanto essas obras chocaram, e isso sim faz sentido.

* Em ordem cronológica, você passa por todas as épocas, de A.C. aos dias de hoje, e por todas as modalidades sexuais, com fotos bem explícitas que "podem chocar e ofender". Essa plaquinha ficava na entrada. Aquela em neon cor-de-rosa também. Aquilo é arte, viu?

* Assim como as fotos bregas de sexo explícito da Cicciolina, no segundo andar. E também assim cono os slides com fotos de casais anônimos sendo felizes na cama, no chuveiro, na frente dos filhos, no sofá, na varanda... Para dar um clima de arte intelectual, os slides são projetados com uma trilha moderna e confusa, estilo Bjork. Talvez seja mesmo Bjork, porque a música foi me irritando aos poucos.

* Essa fase moderna da instalação, que inclui dois filminhos chatos mas considerados "cool" do Andy Warhol, é bem cansativa. Seguindo as "obras de arte" ali, dá a impressão que, qualquer foto de sexo com uma ambientação moderna e trilha ousada é arte. Eu só fiquei esperando aparecer em algum momento, o filminho da Paris Hilton. Não me surpreenderia nem um pouco.

* Semana passada também assisti ao Control, finalmente. Não quero falar muito do filme porque sei o quanto é chato. Apesar do ponto de vista do filme ser totalmente o da mulher traída e abandonada, adorei todos os momentos. Cada música que tocava estava no lugar certo, e era tão emocionante a ponto de você esquecer que, na verdade, a pertubação do Ian Curtis foi pouca - ou quase nada - explorada.

* Não vou falar mais nada. Só mais uma coisa: o Sam Riley, que faz o papel do Ian Curtis, está sensacional. Ele me lembrava tanto um amigo, que ate irritava. Para provar a ele que não estou mentindo, fotos dos dois, em posição parecida:

Sam Riley x Curtis

Ale Cuervo x Sam

* Ainda na onda do filme, fui ver uma exposição de fotos da banda em uma loja de madame. Só um cachecol na loja custava 86 libras. Façam as contas.

* São mais de 40 fotos do fotógrafo Pierre René-Worms tiradas em um único dia, 18 de dezembro de 1979, data de um show deles em Paris. É absurdo ver essas imagens depois do filme. A caracterização da banda (figurino, inclusive) está perfeita. O Peter Hook é igual!!!

* Para quem tiver tempo, esse artigo escrito pela Natalie Curtis, filha do Ian, está ótimo. Ela dá a sua visão do filme, fala sobre a banda e conta histórias ótimas do Tony Wilson. Ela é figurante no filme e é quem grita "fuck off" na cena em que colocam um maluco para cantar no lugar do Ian. =)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Bowl & Sebastian @ Bloomsbury Lanes

...nesta data querida...

* Resolvi fazer a minha festinha de aniversário em um lugar bem inusitado em Bloomsbury: um boliche indie.


* O lugar parece um barzinho de faculdade decadente, com carpete rasgado e papel de parede descascando. Tem mesa de sinuca, uma salinha de karaokê, uma mini-sala de de cinema logo na entrada passando filme p&b, e o boliche, claro. Mas o que importa, principalmente para uma pessoa como eu que não joga absolutamente nada, é o palco que fica ao lado das pistas de boliche. Várias bandinhas se revezam ali em noites "temáticas".


* Por sorte, e por uma coincidência muuuito estranha, no dia do meu aniversário a noite era dedicada ao Belle & Sebastian (para quem não sabe, "Bean Jean" foi roubado de uma música deles). Todas as bandas só podiam tocar músicas do Belle & Sebastian, tinha "quiz" nos intervalos (putz, deveria ter me inscrito!) e um karaokê improvisado no palquinho com músicas do grupo.


*Acho que todos os indies "old-school" de Londres estavam lá naquele dia.


* Monica Queen, que faz o vocal principal em "Lazy Line Painter Jane", tocou com a banda folk dela. Foi um show bem bonito, naquele clima "lalalala" de bater palminha. Filmei um trecho da música, que eu considero uma das melhores do B&S. Esperem alguns segundos de vídeo até aparecer o povo jogando boliche AO LADO do palco:

Monica Queen - "Lazy Line Painter Jane" (B&S)



* A-do-rei, e foi um dos aniversários mais indies divertidos que tive. As fotinhos estão no Flickr.