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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Higienópolis Pride: a "Consoleta"

Crostone de tomates doces e queijo de cabra do La Frontera

* Dica de uma amiga carioca! Ela me disse que no jornal O Globo da semana passada, no suplemento ELA, saiu uma matéria de página inteira sobre Higienópolis. Mais especificamente sobre os restaurantes do bairro.

* Eu já falei sobre isso aqui uma vez. É impressionante como essa região virou um paraíso gastronômico nos últimos anos. Moro aqui há mais de 20 anos e lembro que o Jardim de Napoli era uma das únicas referências do bairro... (e o Ugues, claro, pra quem é local e curte uma baixa gastronomia de qualidade).

* O termo usado no jornal carioca para descrever "o novo pólo da gastronomia paulistana" é "Consoleta", uma mistura simpática de Consolação com Recoleta, bairro charmoso de Buenos Aires.

* Joguei no Google, tentei pegar a matéria no próprio O Globo (só para assinantes, que coisa mais atrasada, hein) e nada... Mas este blog fez um post sobre isso com alguns trechos da matéria. Selecionei estes:
''Dê um tempo na Mário Ferraz, suspenda as idas à (Rua) Amaury. O lugar mais bacana de restaurantes em São Paulo hoje é a Consoleta, em Higienópolis''

"É unanimidade entre os gourmets da Consoleta que, quanto mais houver bons restaurantes na área, melhor. É preciso sair do circuitinho Spot e Ritz, ora. Só não pode desaparecer o clima de bairro onde se mora e se anda a pé. - 'Aqui as pessoas passeiam com os cachorros na rua e param para tomar um café, aos modos de Buenos Aires mesmo'- diz o argentino Jose Luis Baloni, chef da Mercearia do Francês''
* Os restaurantes citados na reportagem (escrita por Carolina Isabel Novaes) são: ''Ici Bistrô'', ''AK Delikatessen'', ''Arturito'', ''Mercearia do Francês'', ''La Frontera'' (foto) ''Brasserie Erick Jacquin'', ''Carlota'', e Anita.

* PLEASE: Se alguém tiver um print ou um scan da matéria, pode mandar que eu atualizo aqui.

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[ Engordando em Higienópolis ]

terça-feira, 19 de maio de 2009

Barak Obrama: FAIL

* Mais uma do bairro de Higienópolis: o restaurante/chopperia Barak Obrama (assim mesmo) já fechou! A crise-tsumani chegou e o bar não conseguiu resistir nem a 6 meses de mandato do presidente americano!

* Eu tirei essas fotos logo que o lugar abriu, mas a minha preguiça foi maior e nunca fiz o post. Vou aproveitar a falência do estabelecimento para colocar essa fotinho que estava há meses no celular: a do dia da posse do Obama. 

* O dia em que eles botaram holofotes coloridos (azul e vermelho) na rua, bexigas azuiz e vermelhas nas mesas e ofereceram "chopps" blue and red para a galera. Não fui, mas ouvi a empolgação dos médicos da região (da Santa Casa, que fica bem perto) até de madrugada.


* Aviso aos interessados no ponto que fica na Rua Aureliano Coutinho, esquina com a Martinico Prado: o lugar é micado. Já teve de tudo ali e nada vinga. Fujam.

domingo, 17 de maio de 2009

A Xuxa de Higienópolis na Folha!

A "Xuxa" se chama Marthia!

* Levei um susto quando abri a Revista da Folha hoje. Conheço (ou achava que conhecia) bem a loirona acima.

* Ela diz que o nome que ela escolheu para ela é Marthia (bom saber), mas aqui no bairro a chamam de Xuxa. Ela odeia. Quando ouve "Xuxa" ela tem um daqueles ataques da Amy Winehouse do Pânico: berra, xinga, solta 25 palavrões por minuto, assusta as crianças, briga com a mulher que vende frango de televisão, falta cuspir nos taxistas. 

* A Marthia-Xuxa mora aqui desde que eu me conheço por gente e tem uma rotina sistemática. Dorme na Rua Itacolomi embaixo de um guarda-chuva gigante e azul, ao lado de um radinho de pilha e uma sacolinha de plástico. Faz compras no supermercado Madrid (sempre: cigarro, bolacha Maria, suco, leite de rosas e tintura pro cabelo) e toda semana vai à papelaria da Martim Francisco para comprar um pacote de folhas sulfite. Acabei de ficar sabendo pela reportagem que ela também checa o e-mail nessa papelaria. Repetindo: ela checa os e-mails.

* E daí, ela passa a tarde escrevendo e grampeando as folhas pelas árvores bairro. Antes eu parava pra ler, mas era sempre a mesma história. Ela dizia ter sido expulsa de casa pelos TFPs ("Tradição Família e Propriedade"), que eles mataram alguém da família dela, que ela queria que todos eles queimassem no inferno, etc. Eram acusações graves de corrupção e assassinato, mas acredito que nunca tenham levado aquilo tudo a sério.

* E hoje ela está aqui, berrando em frente a minha janela e também sendo chamada de poeta pela Revista da Folha. Pelo jeito as acusações viraram poesia, melhor eu comecar a ler novamente! E mesmo acompanhando a vida dela há mais de 20 anos, nunca soube nada disso:

A Poeta de Higienópolis

Todo sábado, Marthia Pasquali só sossega após fazer uma fezinha. Nunca ganhou na loteria, mas fez do jogo rotina em seus 25 anos nas ruas de Higienópolis. Lá, todos têm algo para falar sobre ela. "Foi mulher rica, que descasou e ficou assim", assevera o dono da banca. Marthia escreve poemas e os pendura nas grades dos prédios e árvores do bairro. "Quando unimos nossos corpos, todo o espaço se ilumina." Textos logo retirados pelos seguranças.

Recende a leite de colônia. "Marthia é chique. Anda perfumadíssima, tem documentos impecáveis, é figura fina", gaba-se Vera Caldas, 51, dona da papelaria onde a moradora de rua checa os e-mails e tem um armário. Ela acorda às 5h. Ouve as notícias no rádio de pilha e vai tomar café na padaria do Aníbal. Almoça na lanchonete da Cida. Faz entregas e pagamentos. "Meus amigos me dão R$ 10, R$ 20, depende do dia. Não peço." E calcula ganhar R$ 300 por mês.

Sentada em um banquinho, conta sua história. "Nasci Terezinha Ferreira da Silva, no Nordeste. Cresci numa favela no Rio, de onde fugi há 45 anos dos estupros do meu padrasto", narra. Em São Paulo, ganhou outra identidade. "Olhei num livro um nome bonito: Marthia. Juntei com outro, Pasquali. É meu até hoje." Foi balconista, babá, faxineira; casou-se com dois brasileiros e um argentino; teve quatro filhos, com os quais não fala há duas décadas. "Precisaria de uma vida inteira para entender a minha."

por William Vieira / fotos Jefferson Coppola

* Reproduzi aqui o texto porque na internet ele estava aberto só para assinantes.

--> Para ler mais sobre moradores de rua "famosos":

[ Quase Famosos ]